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Cai
a lua sobre ambulâncias,
polícias e carros fúnebres.
Ainda erótica, apesar de torta,
a noite é sonâmbula sagrada de segredos;
não daqui, mas das florestas mágicas
onde o vento canta encânticos
de bruxos, em ritmos, em refluxos,
da sinfonia universal.
A
metrópole inquieta
propicia assassinatos,
enganos e furtos.
O
tempo é frívolo, atávico.
A cama é crua: não há sonhos.
Só sobraram vinhos tristes,
beijos pródigos passados,
flores lívidas sem perfume, músicas
sem
alaúdes,
partituras sem piano, silêncios,
promessas
— e hálitos.
E
a mensagem que chegou
estava em código secreto.
Ainda
assim, o poeta saiu errante,
à
noite, com a marginália
de seu livro
vivo;
de repente, abriu os braços ao relento
e acariciou só, solenemente, os cabelos
do Cruzeiro do Sul. |